segunda-feira, 29 de junho de 2020

O silêncio dos Bacamartes - Por Wagner Wilker

O Bacamarte é uma arma de fogo, de cano curto e largo, reparada em coronha. Ao longo de centenas de anos, recebeu diversos nomes de acordo com o tipo que eram utilizado, como o bacamarte de Boca-de-sino, cujo cano vai alargando até à boca; remonta a século XVI. No Brasil, mais especificamente no nordeste, o Bacamarte também é conhecido como Reiúna, Reúna Riúna, Riúne e Granadeira.

Desta forma, as granadeiras, que serviram na Guerra do Paraguai, sofreram mutilações que adaptaram ao uso dos bacamarteiros nas festas do interior de Pernambuco. Arrancaram-lhe os guarda-matos, para que não atrapalhassem a mão do atirador no recuo das poderosas detonações.

Segundo o professor e historiador Dr. Flávio José Gomes Cabral, no livro: Bonito: Das caçadas às indústrias, o primeiro grupo de Bacamarteiros surgiu no início do século passado (1903), no Sítio Grota dos Chicos, criado por Amaro Antônio do Rego, dando origem ao Batalhão 15. Naquela época, nos dias de São João, Pio Julião de Oliveira, Rafael José dos Santos e Manoel Ferreira de Lima saíam de casa em casa, no Sítio da família Rego, com 1 pífano feito de cano de carrapateira, 1 reco-reco e 1 flandre, servindo de zabumba, tocando, dançando, e fazendo coreografias marciais antes de deflagrarem as bombas joaninas.

Olímpio Bonald Neto, no livro Bacamarte, pólvora e povo, diz que só em 1920, Antônio Valdivínio do Nascimento, oriundo de Cabaceira, na Paraíba, chegou em Bonito com um bacamarte. Logo depois cresceu a quantidade, tanto de bacamartes, quanto de instrumentos. O Centenário Batalhão 15, vem há 117 anos comemorando os festejos juninos em Bonito, acompanhado do caçula da cidade, o Batalhão 08, fundado em 2015. Este são responsáveis pelos dois grandes encontro que acontece em Bonito. Há quase 30 anos, o Batalhão 15 realiza em Bonito o encontro Estadual de Bacamarteiros, evento que já chegou a reunir 1.500 bacamarteiros em um dia. já o Batalhão 08 realiza há quatro anos o encontro Amigos do Batalhão 08.

Entre os 117 anos do Batalhão 15 e os quase 5 anos do Batalhão 08, essa será a primeira vez que, o dia 29 de junho, dia de São Pedro, não se ouvirá os tiros de bacamarte. A já tradicional Missa dos Bacamarteiros que acontece na Coluna de São Pedro, não acontecerá por conta da Pandemia do Coronavirus, com isso, os Decretos estadual e municipal, que proíbe o acendimento de fogueiras e a soltura de fogos de artifícios, engloba os tiros de bacamartes, tendo em vista a fumaça provocada pela pólvora.

Resta, a todos os amantes desta cultura secular, esperar o próximo ano para que, os bacamartes, ou os riúnes, como muitos chamam na região, possam abrilhantar os festejos juninos, levando alegria e muitos “pipocos” para todos os que curtem a cultura do bacamarteiro.


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