sábado, 20 de junho de 2020

Artigo: São João e seu novo tempo - Por Luciano Caldas Pereira de Carvalho Júnior

São João festa da colheita, considerando que nossa região tinha sua economia baseada na agricultura. Hoje, festa do turismo. Para mim, a festa mais alegre e interessante dos ciclos pernambucanos, carnaval, páscoa, junino, tempo comum, e o do natal.

O ciclo junino, vem depois da Páscoa, iniciando-se no mês de maio, dedicado a virgem Maria, ainda hoje no Recife e nas cidades do interior do Estado, noites de reza e cânticos são realizados nas igrejas, em salas de lares e salões de condomínios, bem como as salvas de tiros às seis da manhã, ao meio dia e às seis da noite, que fico a escutar, da Flor da Mata ou do Recife, os tiros de ronqueira, dados da Fazenda do Bosque, solta de Zé Gomes. O ápice do mês é no derradeiro de maio (dia 31), quando grandes procissões, reuniões de amigos e vizinhos, para rezar o terço são realizadas com mesas fartas, e salvas de fogos de artifícios, sendo assim a primeira festa.

Chegando o mês de junho (junino) comemoram-se os três Santos: Antônio, João e Pedro. Destes o São João é o mais festejado e por mim adorado. Sempre em minha casa foi celebrado, no início na Fazenda Várzea Grande do Caboclo de meu avô Sancho, depois na casa do Recife e a mais de trinta anos na Fazenda Flor da Mata, no município de Camocim de São Félix. Com mesa cheia de iguarias de milho, mandioca e o tradicional cachorro quente de carne moída. A casa toda decorada com as bandeiras, muitos fogos, balões, a fogueira nunca com menos de três metros de altura, decorada com capela. É sempre acessa por meu pai, ou por mim ou por meu filho (os três Luciano), porque nunca delegamos a ninguém esta tarefa. Reza a tradição que se a fogueira não pega fogo, o dono da casa morre antes do próximo São João.

Mas neste ano, não terá os fogos de tiro: de bombas de cordão, de bacamarte (Rio Una, como é chamado em Camocim) ou de ronqueira. Tudo em respeito a dor da sociedade por muitos mortos, que tiveram a vida abreviada pela Covid 19, pela dor dos profissionais que estão em sem empregos, e pelos empresários que não poderão reabrir seus negócios.

E, nem vai ter fogueira de três metros para mais uma vez queimar por dois dias e iluminar um novo tempo anunciado por São João Batista, um tempo de esperança de vida melhor em cada ser humano. Contudo será acessa no coração de cada festeiro Nordestino que ficará esperando o próximo ano para festeja os Santos Juninos.


Luciano Caldas Pereira de Carvalho Júnior - Advogado
Membro da Academia de Letras, Artes e Ciência de Camocim - ALACC

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