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segunda-feira, 8 de julho de 2019

Copa América/Sul-Americano - Por Lucídio José de Oliveira

Eu era fissurado na Copa América. Naquele tempo, não era chamada assim. A gente falava, e tinha que ficar de pé em sinal de respeito, em Sul-Americano. A primeira que acompanhei pelo rádio eu tinha 10 anos. Foi em 42, o Uruguai campeão em Montevidéu.

Nas ondas do rádio e pelas páginas coloridas de O Globo Sportivo, acompanhei os Sul-Americanos de 45, em Santiago, o de 46, em Buenos Aires, e o de 1949 no Brasil, no Rio e em São Paulo, em São Januário e no Pacaembu.

Na época, o futebol pra mim era as peladas no campo de Dona Bela, no bairro do Jucá em Bonito. E o Náutico que eu acompanhava nas páginas dos jornais e nas conversas com os meninos e os mais velhos. Tinha o futebol do Rio, na rádio Nacional e nos jornais. No fim do ano, final da temporada, o campeonato brasileiro, a novidade era o distante futebol paulista, disputando pau-a-pau a hegemonia com os cariocas. Era somente isso. Futebol europeu não existia. Quando tinha Sul-Americano, ou Copa Roca, ou Copa Rio Branco, era uma festa.

Em 1942, ano de minha estreia como torcedor, o Uruguai, o dono da casa, ficou com a taça. O Brasil era o que restou da Copa de 38 na França, Domingos, Brandão, Tim, Patesko, Adhemar Pimenta ainda no comando. Em 45 e 46, a geração de Danilo, Zizinho, Heleno, Ademir, Jair Rosa Pinto. A geração que acabou no Maracanazo de 1950.

Em 1947, um Sul-Americano foi disputado no Equador. O Brasil, dele não participou. Talvez por conta da pancadaria e da violência que sofreram nossos jogadores em Buenos Aires no ano anterior. A Argentina ganhou mais uma vez. Era tricampeã seguida do Sul-Americano, feito jamais igualado. A Argentina merecia ao menos uma Copa do Mundo naquele tempo, a geração de Nestor Rossi, Méndez, Moreno, Labruna, a geração de Sastre, Di Stefano e Perdenera.

Em 49, a disputa novamente no Brasil. Fazia 27 anos que o Sul-Americano não era disputado em terras brasileiras. E 27 anos que o Brasil não era campeão... Voltou a ganhar. Sem a concorrência da Argentina, que não veio por contas das rusgas acumuladas nos últimos tempos, e com o Uruguaio representado por uma seleção juvenil. Na final: Brasil 7x0 Paraguai, em maio de 1949, em São Januário, no Rio. Partida extra para decidir o título.

Três dias antes, no mesmo São Januário, na derradeira partida da tabela, o Brasil jogando pelo empate, vitória do Paraguai por 2x1! O Paraguai do técnico Solisch e do goleiro Garcia, depois tricampeões cariocas com o Flamengo, e do artilheiro Benitez, também campeão pelo Mengo na mesma época. Mais adiante, fazendo dupla com Ivson, goleadores no Náutico em 1957. O Brasil foi campeão com Barbosa, com Augusto, Danilo, Zizinho, Ademir e com Jair. O time tinha também Otávio, do Botafogo, e Orlando, do Fluminense, os artilheiros do Carioca no ano anterior.

Era assim a minha Copa América no tempo que a gente chamava ela de Sul-Americano. De um tempo em que era ela muito mais charmosa. Sul-Americano que um dia, em Quito no Equador, ano de 1959, teve o Brasil representado por uma seleção pernambucana. A Cacareco de Gentil Cardoso. A Cacareco do goleiro Waldemar, de Zequinha, de Elias Caixão, de Geraldo e Fernando José, todos eles alvirrubros, campeões nos Aflitos no início dos anos 60.


Dr. Lucídio José de Oliveira - Médico e Escritor

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